Quem eu Sou - Sargento Lago

LEIA PAPA MIKE!
O livro que te coloca dentro da intimidade da PM.
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Eu sintetizo o “Quem sou” dizendo: Um homem que crê em Deus e no amor e sonha com um mundo melhor.
Biografando
Nasci em Queluz/SP, no dia 24 de novembro de uma época bossanovista em que o presidente do Brasil era JK. Sou o quinto filho de Layde e de José, que tiveram 15 (Lygia, Lúcia Helena, Márcia, Misael, eu, Eliel, Vagner, Meire, Laisa, Liliam, Claudia, Laidinha, Cleide, Marcos e Carlos Henrique).

Sou um homem feliz porque tenho a base da minha vida estruturada na fé em Deus.

Minha infância e o início da adolescência foram vividos entre as cidades de Queluz/SP, Piraí/RJ, Resende/RJ e Angra dos Reis/RJ. Aos 15 anos vim com meus pais para São Paulo e saí apenas por dois anos, em 1999, para residir em Campinas/SP.

As minhas melhores recordações do passado sempre são as que estávamos em família. Todo evento era mega, devido a quantidade de irmãos e de amigos que sempre freqüentaram nossa casa. Na hora do almoço, do banho, do culto doméstico... Tudo era muito festivo.

Meu pai, ex-combatente do Exército Brasileiro, comandava sua tropa com mãos firmes. Minha mãe, gentil e carinhosa afagava-nos após sermos disciplinados com alguma correia, chinelo ou até uma varinha.

Nossa educação foi fundamental para nortear nossos passos. Meu pai era pastor evangélico e nos orientou com base nos ensinamentos bíblicos. Aprendemos a respeitar nossas diferenças e amar uns aos outros. Felizmente somos unidos até hoje. Nossa tropa continua coesa.


Minha primeira atividade profissional foi aos 10 anos. Morava em Resende. Vendia verduras de casa em casa. Ainda me lembro do meu patrão, um senhor gordo, meio vermelhão, que pegava as moedas que eu levava, resultado das vendas, e separava algumas para me pagar e as outras ele colocava num porquinho, que servia de cofre, e a cada moeda que ele colocava, dava uma roncada como se fosse o porquinho engolindo a moeda. Eu ria muito.

Nessa época comecei torcer pelo Botafogo Futebol e Regatas. O título estadual de 1968 ajudou na minha escolha.

Depois engraxei sapatos no bairro do Manejo, com meu irmão Misael. Meu pai fez a caixinha pra gente.

Um dia ofereci graxa para um moço que estava de chinelos de dedo e foi muito engraçado.

Já morávamos em Angra dos Reis quando meu tio Goio disse ao meu pai que ele deveria ir para uma cidade maior para aumentar a chance de emprego aos filhos. Então, meu pai me trouxe na frente e viemos para São Paulo para alugar uma casa e trazer o resto da família.

Fiquei na casa do meu primo-irmão Cherloques, na Água Rasa. Lembro com saudades. Saía na pracinha em frente a sua casa e ouvia os rádios dos vizinhos tocarem “Charlye Brow”, do Benito di Paula. Foi quando começou minha admiração por esse cantor.
Da casa do Cherloques fui para a casa do meu tio Goio. Minha prima Ligia era caixa do Supermercado Salomão, na Vila Formosa e arrumou para eu ser empacotador. Nessa época fazia muito frio na cidade e eu não estava acostumado. Um dia, após o almoço, fui ao depósito e me deitei sobre os fardos de papel higiênico. Estava tão quentinho que só me acharam por volta das 15h30, para desespero da minha prima

Já com a família estabelecida nessa Capital, trabalhei na feira livre, vendendo vasos de Xaxim; nas fábricas de pé de geladeiras, parafusos, velas; numa adega; na farmácia Drogasil; numa confecção no Brás e com meu primo, na administração de uma firma de entrega de café.

Em 1981 meus pais já haviam retornado para o Estado do Rio de Janeiro e ficamos apenas eu e meu irmão Misael. Ele trabalhava num Cartório de Notas, eu fazia apenas bicos. Morávamos em um quarto e cozinha. Foi quando o meu amigo Sérgio me informou sobre o ingresso na Polícia Militar. Após ser aprovado em concurso público, iniciei o curso de soldados em 01 de setembro de 1981 e concluí dia 12 de fevereiro de 1982, na 3ª Cia do CFAP, que ficava no bairro do Rio Pequeno, na Capital paulista.

Minha primeira Unidade foi o 16º BPM/M. Trabalhei na 1ª Companhia, em Pinheiros. De lá, saí para fazer o Curso de Cabos, em 1984 e depois o de Sargentos, em 1985, ambos no CFAP (3ª Cia e Sede, respectivamente).

Das lembranças dessa época, trago as alegrias de organizar, em 1982, um campeonato interno de futebol de salão e de conviver com policiais que tinham a idade para serem meus pais, o que me permitia sempre um bom aprendizado. Sem contar que trabalhei com meu tio, na época Sargento Lago, que tinha todo o cuidado possível comigo para que eu não fosse vítima da minha inexperiência.

Tive o desprazer de ter um companheiro ferido mortalmente, numa Operação Pagamento. O soldado Sotto foi surpreendido por um marginal que vestia o uniforme dos Correios e desferiu-lhe vários tiros de espingarda calibre 12.

No início de 1986 aceitei o convite e fui trabalhar na mesma 3ª Cia do CFAP, onde fiz os cursos de soldado e cabo. Lá fui monitor dos pelotões de alunos cabos do antigo curso que foi apelidado de “Juruna”. Todos os alunos tinham aproximadamente 30 anos de serviço e, por força de Lei, tinham que fazer esse curso para serem promovidos. Contudo, não frequentavam os bancos escolares há anos e, com isso, pela insegurança, deram um pouco de trabalho. No final foi até engraçado. Eu, Sargento recruta e com 25 anos de idade, reverenciando a antiguidade daqueles senhores que, em contra partida, me adotaram como sendo seus pais.

Ainda dessa época, tenho a lembrança de ter ousado ensaiar e cantar na formatura matinal, com todos os 400 alunos da escola, as músicas “A Banda” do Chico Buarque e “Fogo e Paixão”, do Wando, quando deveriam ser as tradicionais marchas, irreverência própria da juventude.

Em 1987 fui transferido para a sede do CFAP, no bairro do Tatuapé, onde fiquei alguns meses, aguardando movimentação para o 1º BPChq - ROTA



Em 1990 fui para a o setor de relações públicas da Corporação (5ª EM/PM). Lá produzi vídeos históricos: “Alberto Mendes Junior – A História de um Herói” e “Epílogo”; “Drogas, o fim da picada!”; “Massacre ou Confronto?”; “De Heróis a Vilões”; “Eu Acredito”; “PM Boa de Bola”; Sendo Você; entre outros.

Como freqüentava o curso de jornalismo na FIAM – Faculdades Integradas Alcântara Machado, no bairro do Morumbi, solicitei movimentação, em 1994, para a 1ª Cia do 23º BPM/M, em Pinheiros (que era a antiga 1ª Cia do 16º BPM/M).

Fui para lá com a nostalgia de retornar para a minha primeira Unidade na Corporação, mas encontrei uma realidade totalmente adversa. No passado havia trabalhado com policiais antigos, agora eram recrutas. Alguns, de má conduta. Me recordo da manchete do jornal, no dia da minha apresentação: “O bairro onde o ladrão é a polícia e a polícia é o ladrão”. Isso já me indicava o trabalho que teria.

O comandante da Companhia, Capitão PM Alexandre Marcondes Terra, me chamou e solicitou empenho total na reconstrução da imagem da PM naquele local. Com a mesma lealdade que sempre dediquei aos meus superiores, iniciei convocando um mutirão e fazendo uma faxina e depois pintando todo o prédio.

Depois, fizemos a depuração dos marginais que estavam travestidos de policiais.

Mas não tive como missão apenas questões institucionais e administrativas. Foi nessa época que atendi uma das ocorrências mais emblemáticas da minha carreira. Roubo com reféns, entre eles um bebê.

Apesar de não ter feito os cursos especializados – que se iniciava na PMESP - assumi o comando, e, felizmente, tivemos êxito, conforme noticiou a imprensa local. Foram 5 marginais presos, armas apreendidas e, o mais importante, nenhuma vítima ferida.

Com minha promoção a 1º Sargento PM, em 1998, fui trabalhar no 4º BPM/M, na 1ª Cia (Lapa), na 4ª Cia (Perus) e na Força Tática (área do Batalhão). Tudo isso em menos de um ano, pois fui convidado para trabalhar na Diretoria de Ensino, na área de vídeo, contudo preferi ir para Campinas/SP, onde trabalhei no 35º BPM/I – ROTAC.

Foi lá que fui ferido a tiros, numa ocorrência de roubo a um estabelecimento comercial. Foram mais de dez tiros, numa distância de 6 metros, aproximadamente. Apenas dois tiros me atingiram. Tempos depois fui condecorado com a Medalha Cruz de Sangue.

Retornei a Capital, em 2000, exatamente quando lancei o CD “De Polícia”, com meu parceiro Capitão Rivaldo. Como frequentemente ia para São Paulo participar de programas de televisão e fazer shows, o Tenente Coronel Perrenoud - um grande incentivador do nosso trabalho – me trouxe de volta à 5ª EM/PM, que depois passou a chamar-se Centro de Comunicação Social – C Com Soc.

Em 2006, fui para a Diretoria de Ensino e no segundo semestre do ano seguinte retornei para o C Com Soc onde passei para a reserva em 2009.

Em 2010 iniciei o Projeto Policias Militares do Brasil, que gerou o livro Papa Mike – A realidade do Policial Militar.

Em 2012, 2013 e 2015 viajei para as Américas do Sul, Central e do Norte e par a aEuropa, totalizando 34 países em pesquisas cuja obra ainda não foi publicada.


De todas essas experiências na Polícia Militar, tirei uma lição que coloquei como ideal:

A sociedade precisa da polícia. Não de uma polícia autoritária, truculenta, mal educada, mas gentil, solidária, que aja com o rigor da lei, com austeridade, mas, acima de tudo, com justiça.

Os policiais também têm as suas necessidades. Muitos deles, quando deixam suas fardas nos armários dos quartéis e “viram povo” também esperam uma sociedade justa e querem viver com dignidade.  

Cabe a cada um de nós fazer a sua parte.

Como policial atendi a sociedade, como músico, aos policiais. Como escritor, a ambos.
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Apresentação dos Livros, Músicas e Relatos da minha história levando a conhecimento público a expansão da realidade policial.
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Policial veterano de ROTA e jornalista diplomado, Lago também é cantor e compositor de músicas que retratam a rotina policial.
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